A Renascença foi um período de redescobrimento das artes clássicas após séculos do chamado “período das trevas”, durante a Idade Média. A idade das trevas foi marcada pela supressão das artes na Europa por motivações políticas e religiosas. Neste período, pouco da cultura e da ciência se desenvolveu.
Assim, o Renascimento foi um evento social que promoveu uma completa revolução artística em uma ambiente inóspito aos artistas. Essa transformação ocorreu inicialmente na Itália, durante os primeiros anos do século XV, com os intelectuais e artistas revisitando os ideais greco-romanos de sociedade, arte e cultura.
Filosofia e arte
Os filósofos helenísticos, como Epicuro, Sêneca, Epiteto e Zenão, foram “retirados do fundo do baú” e debatidos abertamente nos círculos sociais e acadêmicos.
Dessa forma, a filosofia renascentista foi caracterizada pela transição do “status quo” da época: o estoicismo deu lugar ao epicurismo.
O estoicismo, cuja influências eram Platão e Aristóteles, pregava a realização apenas pessoal por meio de bens imateriais, como o conhecimento, rejeitando uma vida de prazeres desregrados. O movimento estoico é diretamente ligado no ressurgimento atual do movimento minimalista.
Em contraste, o epicurismo pregava o prazer pelo prazer, a liberdade do ser e a retomada do homem como cerne do pensamento filosófico. O pensamento epicurista durante a renascença deu início ao chamado humanismo: o homem (ser humano) no centro de toda discussão artística e cultural.
Com o culto à racionalidade, surgiu um novo período fértil para a filosofia e para a ciência.
As artes no período da Renascença
Nas pinturas, o pensamento humanista é melhor visto, com o enfoque central das figuras humanas nas telas, em: Mona Lisa (Leonardo da Vinci), A Criação de Adão (Michelangelo), Madona Sistina (Rafael), O Nascimento de Vênus (Sandro Botticelli) e O Sepultamento de Cristo (Caravaggio).
Na esculturas, os ideais da Antiguidade Clássica ganham forma. As obras tomaram por inspiração o corpo humano idealizado dos deuses gregos, apenas inserindo elementos da cultura judaico-cristã. Em geral, Donatello e Michelangelo são os artistas mais proeminentes em obras esculpidas durante o Renascentismo.
Influências da filosofia no design
No século XV, as pinturas e esculturas eram a principal referência de design para a sociedade, propagando a filosofia e os pensamentos eminentes da época. Muito da ciência do design deve-se aos desdobramentos ocorridos nas artes renascentistas. Por exemplo, foi na renascença que o desenho tornou-se uma disciplina, com o aperfeiçoamento de técnicas e o uso da perspectiva como ferramenta, possibilitando a fiel representação de formas e padrões em duas dimensões.
Hoje, a partir da massificação do design industrial, iniciado pela Bauhaus, o design tornou-se uma das principais formas de difundir ideais para públicos ainda maiores. Como exemplo, podemos recordar a atuação do design por meio de correntes industriais, sendo as manifestações artísticas, filosóficas e culturais o ponto de partida para o desenvolvimento de novos produtos e serviços.
Para um arquiteto ou designer, tal como um artesão renascentista, é essencial estar diretamente inserido na sociedade, trabalhando como um caçador de tendências (cool hunter) para aproveitar os movimentos culturais, filosóficos e sociais em seus projetos.